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Kadiwéu = inspiração tecida e moldada A bela arte decorativa dos índios brasileiros foi sempre alvo do interesse de cronistas, etnógrafos e antropólogos sendo bastante rica a sua documentação. Entre os muitos grupos destacados por seu desenho sobressai o dos Kadiwéu. Existe um particular requinte no desenho feito pelas mulheres desse grupo tanto no grafismo corporal como na decoração de utensílios e outros objetos. O registro do grafismo Kadiwéu aparece na literatura sobre o assunto, em especial nos trabalhos de Guido Boggiani, Darcy Ribeiro e Claude Levi-Strauss. Esses registros foram a principal fonte para o trabalho que venho desenvolvendo como pano de fundo de minha atividade têxtil. A partir de 1990, quando conheci o tear pente-liço, comecei a transpor alguns padrões do desenho Kadiwéu para tecidos de lã industrializada feitos no tear manual. Usei fios brancos e pretos e eventualmente vermelhos. Brincando com a idéia de inverter a posição do fundo e das figuras, fiz vários panos, sempre pares com o mesmo desenho, invertendo a posição do branco e do preto. Com alguns deles fiz roupas costuradas à mão. Mais tarde, quando aprendi a fazer papel machê, passei a moldar peças também inspiradas no padrão do desenho Kadiwéu. O acabamento foi dado com papel de seda rasgado e recortado. Formam este conjunto duas roupas costuradas a mão, quatro pares de panos tecidos em tear de pente-liço e diversas peças de papel machê de variados formatos e tamanhos feitos em diferentes momentos nesse período de 12 anos. Stella Gazzaneo |
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