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Na África do Norte, nas mais humildes choupanas dos maciços montanhosos, a dona-de-casa possui um tear: dois rolos de madeira sustentados por dois montantes; uma moldura simples...
O rolo de cima recebe o nome de rolo do céu, o de baixo representa a terra. Esses quatro pedaços de madeira simbolizam todo o universo.
O trabalho de tecelagem é um trabalho de criação, um parto. Quando o tecido está pronto, o tecelão corta os fios que o prendem ao tear e, ao faze-lo pronuncia a fórmula de benção que diz a parteira ao cortar o cordão umbilical do rescém-nascido.
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Tecido, fio, tear, instrumentos que servem para fiar ou tecer (fuso, roca) são todos eles símbolos do destino. Servem para designar tudo o que rege ou intervem no nosso destino: a lua tece os destinos; a aranha tecendo sua teia é a imagem das forças que tecem nossos destinos.
As Moiras são fiandeiras, atam o destino, são divindades lunares. Tecer é criar novas formas.
CHEVALIER, Jean. Dicionário de símbolos. 6.ed. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1992. p.872
“Tecer não significa somente predestinar e reunir realidades diversas, mas também criar, fazer sair de sua própria substância exatamente como faz a aranha, que tira de si própria a sua teia”.
ELIADE, Mircea. Traité d’histoire des religions. Paris, 1962. p.159 apud CHEVALIER (1992, p.872)
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